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A criação testemunha o Criador
"O mundo não provém do caos", mas é "como um livro ordenado" no qual se pode perceber a presença fundamental "do Autor que desejou revelar-se nele" – foi o que afirmou o Santo Padre Bento XVI nesta sexta-feira dirigindo-se aos membros da Pontifícia Academia das Ciências, que realiza sua assembléia plenária sobre o tema "Abordagem científica da Evolução do Universo e da Vida", um tema que, segundo o pontífice, "interessa hoje enormemente os nossos contemporâneos", especialmente no tocante "à origem última dos seres, sua causa e seu final, o significado da história humana e do universo".
Esta imagem da natureza como um livro, explicou o Papa, "tem suas raízes no cristianismo e foi sustentada e querida por muitos cientistas", entre eles o próprio Galileu, que "viu a natureza como um livro cujo autor é Deus, da mesma maneira que a Escritura tem Deus como seu autor. É um livro cuja história, evolução, ‘escritura’ e significado, lemos desde as diversas aproximações das ciências, que em todo momento pressupõem a presença do autor que desejou revelar-se nele. Esta imagem também nos ajuda a entender que o mundo, longe de provir do caos, parece um livro ordenado, ou seja, é um cosmos".

Seguindo esta linha de pensamento, a mente humana pode elaborar não só uma "cosmografia" mediante o estudo dos fenômenos mensuráveis, mas também uma "cosmologia", ao discernir "a lógica interna" desse cosmos. É uma idéia cara a Bento XVI, que desde o início do seu Pontificado vem insistindo num diálogo franco e profundo com o mundo científico.
"Talvez no começo não sejamos capazes de ver a harmonia entre a totalidade do mundo e a relação entre cada uma de suas partes, ou destas com o todo", disse o Papa, mas "sempre resta um amplo leque de acontecimentos inteligíveis, e o processo é racional enquanto revela uma ordem de correspondências evidentes e finalidades inegáveis". A pesquisa experimental e filosófica "gradualmente descobre esta ordem", acrescentou, "no mundo inorgânico, entre micro-estrutura e macro-estrutura no mundo animal e orgânico, entre estrutura e função; e no mundo espiritual, entre conhecimento da verdade e aspiração à liberdade". As ciências naturais - acrescentou o Papa - "também aumentaram enormemente nossa compreensão da unicidade do lugar da humanidade no cosmos".
"A distinção entre um ser simples e um ser espiritual que é 'capaz de Deus' assinala a existência de uma alma intelectual em um sujeito livre e transcendente. Por isso, a Igreja sempre afirmou que cada alma espiritual é criada diretamente por Deus, e não 'produzida' pelos pais", o que aponta para a "especialidade da antropologia", e "convida à sua exploração por parte do pensamento moderno".
O Papa afirmou que "não existe nenhuma oposição entre a leitura do mundo por parte da ciência e a leitura proposta pela revelação cristã". Por último, convidou os cientistas da Academia a continuarem pesquisando sobre as origens do universo e da vida, para que "a verdade científica, que é uma participação na Verdade divina, possa ajudar a filosofia e a teologia a entender totalmente a pessoa humana e a Revelação de Deus sobre o homem".

A Pontifícia Academia das Ciências foi fundada em Roma em 1603 com o nome de Academia dos Linces (Galileu Galilei dela foi membro) e é composta por 80 "acadêmicos pontifícios" nomeados pelo Papa a partir da proposta do Corpo Acadêmico, sem discriminação de nenhum tipo. Tem como fim honrar a ciência pura onde quer que se encontre, assegurar sua liberdade e favorecer as pesquisas, que constituem a base indispensável para o progresso das ciências. A Academia se encontra sob a dependência do Santo Padre. Seu presidente é, desde 1993, Nicola Cabibbo, professor de Física na Universidade La Sapienza de Roma, e ex-presidente do Instituto Nacional Italiano de Física Nuclear.
Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 22h43
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A esperança da Vida dos Santos
Da obra “Sobre o bem da morte”, de Santo Ambrósio de Milão (340-397), bispo e doutor da Igreja:
Fortalecidos com os ensinamentos da Escritura, caminhemos sem tremer para o nosso redemtor, Jesus, para a assembléia dos patriarcas, partamos para o nosso pai, Abraão, assim que o dia chegar.
Caminhemos para essa congregação dos santos, essa assembléia de justos. Iremos para os nossos pais, aqueles que nos ensinaram a fé; mesmo se as obras nos faltam, que a fé nos ajude, defendamos a nossa herança! Iremos aos lugares onde Abraão abre o seu seio aos pobres como Lázaro (Lc 16,19s); aí repousam aqueles que suportaram o rude peso da vida deste mundo.
Agora, Pai, estende mais e mais as tuas mãos para acolheres estes pobres, abre os teus braços, alarga o teu seio para os acolheres melhor, pois são muitos os que acreditaram em Deus.

Iremos ao paraíso de felicidade onde Adão, outrora caído numa emboscada de salteadores, já não pensa em curar as suas feridas, onde o próprio malfeitor goza da sua parte do Reino celeste (cf Lc 10,30; 23,43). Lá onde nenhuma nuvem, nenhuma trovoada, nenhum raio, nenhuma tempestade de vento, nem trevas, nem crepúsculo, nem verão, nem inverno, marcarão a instabilidade dos tempos. Nem frio, nem granizo, nem chuva. O nosso pobre pequeno sol, a lua, as estrelas, já não servirão para nada; só o luz de Deus resplandecerá, porque Deus será a luz de todos, essa luz verdadeira que ilumina todo o homem resplandecerá para todos (Ap 21,5; Jo 1,9). Nós iremos aonde o Senhor Jesus preparou moradas para todos os seus servos, para que, aí onde Ele está, nós estejamos também (Jo 14, 2-3).
«Pai, aqueles que me deste, quero que, lá onde eu estiver, estejam comigo, e que contemplem a minha glória» (Jo 17,24)... Nós seguimos-te, Senhor Jesus; mas, para isso, chama-nos, pois sem ti ninguém ascende. Tu és o caminho, a verdade, a vida (Jo 14,6), a possibilidade, a fé, a recompensa. Recebe-nos, fortalece-nos, dá-nos a vida!

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 14h23
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Milagres de Bento XVI
Caro Internauta, veja só: enquanto alguns racionalistas, que fazem da razão uma religião e da ciência um deus, totalmente fechados à fé, esbravejam contra a religião, contra a Igreja e contra Bento XV o Professor e físico Stephen Hawking (herdeiro de Einstein, que em Cambridge ensina na cátedra de Isaac Newton) está no Vaticano, participando da plenária da Pontifícia Academia de Ciências, que discute este ano sobre a origem do universo, a evolução da vida, Darwin e a teoria do «desígnio inteligente ». O título do Congresso da Pontifícia Academia de Ciências é «Abordagens científicas sobre a evolução do universo e da vida».
 O Papa com o Professor Stephen Hawking
É impressionante como o Papa Bento XVI, homem de profunda vida intelectual, tem feito não-cristãos e não-crentes participarem de um debate amplo sobre a verdade. O Papa instiga o homem atual a não se cansar de buscar a verdade, porque existe uma Verdade, que é Cristo nosso Deus!
Em nada a ciência se opõe à religião ou à religião à ciência. O conflito ocorre quando a religião quer impedir o reto uso da razão e a ciência quer ditar o sentido da realidade e da vida... À ciência cabe investigar os processos e dinamismos inscritos na natureza de um modo geral; à filosofia e, sobretudo à religião, meditar e determinar o sentido desses processos e dinâmicas. De modo bem simples: à ciência o "como?"; à religião “por quê?” e o “para quê?”!
 Um crente e um não-crente à procura da Verdade
Categoria: Fatos
Escrito por Pe. Henrique às 14h16
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Liturgia da Palavra para o Dia de Finados
Leitura do Livro de Jó (Jó 19,1.23-27a)
1Jó tomou a palavra e disse: 23“Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição 24com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre!
25Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; 26e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. 27aEu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros”.
Salmo responsorial (Sl 26/27)
O Senhor é minha luz e salvação.
O Senhor é minha luz e salvação;
de quem eu terei medo?
O Senhor é a proteção da minha vida;
perante quem eu tremerei?
Ao Senhor eu peço apenas uma coisa,
e é só isto que eu desejo:
habitar no santuário do Senhor
por toda a minha vida;
saborear a suavidade do Senhor
e contemplá-lo no seu templo.
Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo,
atendei por compaixão!
É vossa face que eu procuro.
Não afasteis em vossa ira o vosso servo,
sois vós o meu auxílio!
Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver
na terra dos viventes.
Espera no Senhor e tem coragem,
espera no Senhor!
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 6,3-9)
Irmãos: 3Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados?
4Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova. 5Pois, se fomos, de certo modo, identificados a Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição.
6Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, para que seja destruído o corpo de pecado, de maneira a não mais servirmos ao pecado. 7Com efeito, aquele que morreu está livre do pecado. 8Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele.
9Sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele.
Aleluia, aleluia, aleluia! (Jo 6,39)
É esta a vontade de quem me enviou:
Que eu não perca nenhum dos que ele me deu,
Mas que os ressuscite no último dia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (Jo 11,17-27)
17Quando Jesus chegou a Betânia, encontrou Lázaro sepultado havia quatro dias. 18Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém. 19Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. 20Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa.
21Então Marta disse a Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”.
23Respondeu-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”.
24Disse Marta: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia”.
25Então Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. 26E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto?”
27Respondeu ela: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”.
Escrito por Pe. Henrique às 13h48
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Estudo bíblico-catequético para o Dia de Finados
1. O dia 2 de novembro é Comemoração de Todos os Fiéis Falecidos: nesse dia, os cristãos, cheios de doce e certa esperança, colocam no Altar de Cristo, no Sacrifício Eucarístico, a memória e o sufrágio pelos fiéis que morreram em Cristo. Fazem-no na certeza da ressurreição que o Senhor Jesus nos obteve pelo seu mistério pascal.
=> “Em Cristo brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição. E, aos que a certeza da morte entristece, a certeza da imortalidade consola. Senhor, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada e, desfeito nosso corpo mortal, nos é dado nos céus um corpo imperecível” (Liturgia romana).
2. Eis alguns pontos que não podem ser esquecidos hoje:
=> Toda a nossa esperança e certeza repousam em Cristo morto e ressuscitado: Ele é a Ressurreição. Quem nele vive e morre, não permanecerá na morte, mas ressuscitará. Leia Jo 6,32-58; 1Cor 15,20-23; Jo 11,25-27.
=> A ressurreição é a saída da morte para a vida plena, divina, absolutamente feliz, que Deus nos preparou desde o início. Leia Mt 22,30; 1Cor 2,9; Ap 7,9-17; 21,1-4.
=> Esta ressurreição acontecerá somente porque Jesus morreu e ressuscitou, dando-nos, pelo Batismo, o seu Espírito Santo, Espírito de ressurreição: seremos transfigurados em Jesus, como Jesus e por causa de Jesus. Leia 1Cor 15,20-23; Rm 6,3-8; 8,10-11.
=> A ressurreição envolve todo o nosso ser, corpo e alma. Imediatamente após a morte, nossa alma é transfigurada: será plenificada da vida plena de Jesus No final dos tempos, também nosso corpo ressuscitará em glória, como o corpo de Jesus – a este final chamamos Dia da Ressurreição ou Último Dia... De modo figurado, dizemos que os corpos adormecem em Cristo. Leia 2Cor 5,1-10.
=> Aqueles que morreram em Cristo e foram totalmente abertos para ele já se encontram com ele na glória do céu. Os que foram abertos, mas ainda tinham inteiros aspectos da sua vida que não estavam totalmente conformes ao Cristo, logo após a morte passam por um processo de purificação a que chamamos processo purgatório (Is 6,5-7; 35,8; Ap 21,27). Por esses rezamos no dia de hoje, como diz a Escritura: “É um pensamento santo e piedoso rezar pelos mortos!” (2Mc 12,39-45). Os que se fecharam para o Cristo, ficarão eternamente longe dele, num estado de total não-comunhão e não-realização, a que chamamos inferno (Mt 13,49-50; Lc 13,27-28).
3. Eis alguns textos mais importantes sobre a morte e a ressurreição:
=> Leia 1Cor 15. Observe: (1) O centro da nossa fé é que Cristo morreu e ressuscitou por nossos pecados (vv. 1-8). (2) A ressurreição de Cristo é garantia da ressurreição dos mortos em Cristo, pois ele ressuscitou como primícias dos que morreram (vv. 12-13.17-19.20-22). (3) O corpo da nossa ressurreição não pode ser descrito, pois é um corpo cheio de vida espiritual, um corpo transfigurado pelo Espírito Santo de Cristo (vv. 42-49). (4) Nós ressuscitaremos como Jesus (vv. 45-49).
=> Leia 2Cor 5,1-10. Observe: (1) A nossa morada terrestre (este nosso corpo) será destruído; teremos no céu um corpo ressuscitado: este nosso corpo transfigurado, como o de Jesus (v. 1); (2) Gostaríamos de ter este corpo novo sem nos desvestir deste no momento da morte. Isto é impossível, a não ser que estejamos vivos na vinda de Cristo. Mesmo assim, este corpo terrestre terá que ser transformado num corpo espirituado, isto é,cheio do Espírito Santo (vv. 3-4). (3) O Espírito Santo que ressuscitou Jesus e recebemos no Batismo é já em nós a garantia dessa vida nova que teremos no corpo e na alma em plenitude (v. 5). (4) Enquanto estivermos neste mundo, com um corpo simplesmente psíquico, estamos peregrinando longe do Senhor. Quando deixamos esse corpo na morte vamos habitar junto dele – não ficamos dormindo (vv. 6-8) (5) O cristão procura agradar a Cristo seja vivendo neste corpo seja deixando-o, como os santos no céu, que esperam a ressurreição final dos corpos (v. 10). (6) Seremos julgados não somente pela fé, mas pelas obras que nasceram da fé (v. 10).
=> Note bem: os mortos não estão dormindo! Logo após a morte partimos para estar com Cristo. Leia Mt 27,51-53: após a ressurreição de Jesus os mortos ressuscitam e entram na Cidade Santo (= o céu) e são vistos por muitos (=pelos que crêem); Fl 1,23-24: São Paulo sabe que para ele é melhor morrer logo, pois estará com Cristo (mesmo antes do Juízo Final); Hb 12,22-24: aí aparece o céu, com os espíritos dos justos que já chegaram à perfeição (= os santos de Cristo), mesmo antes do fim do mundo; Ap 6,9-11: aí os santos intercedem para que Deus faça logo justiça na terra; Rm 8,38-39: nem a morte nos poderá separar do amor de Cristo; Lc 16,19-31: nesta parábola, nem o epulão no inferno nem Lázaro na glória estão dormindo: nas suas almas estão bem acordados! Quando o Novo Testamento compara a morte a um sono é (a) no sentido de que o corpo somente ressuscitará no final dos tempos e (b) que a morte não é eterna, mas será vencida como quem se acorda dum sono.
=> Leia 1Ts 4,13-18. Observe: (1) Os cristãos sabem o que nos espera com a morte, pois conhecem a Cristo ressuscitado (vv. 1314). (2) Nós ressuscitaremos em Cristo ressuscitado (v. 14). (3) Seremos arrebatados, isto é, seremos ressuscitados, glorificados, elevados em Cristo. A palavra arrebatamento é o mesmo que ressurreição (v. 17). Quando se fala em trombeta, ser elevado nos ares, estar nas nuvens, usa-se imagens para dizer que seremos elevados para uma vida muito superior a esta. Não se devem tomar tais imagens ao pé da letra. Seria uma grosseria e uma bobagem! (4) O mais importante de tudo é que estaremos para sempre com o Senhor. Isto é o céu! (v. 17).
+++++
Senhor, que a luz eterna os ilumine no convívio dos vossos santos, porque sois bom! Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno e brilhe para eles a vossa luz no convívio dos vossos santos, porque sois bom!
Escrito por Pe. Henrique às 13h47
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Liturgia da Palavra para Todos os Santos
Leitura do Livro do Apocalipse de São João (Ap 7,2-4.9-14))
Eu, João, 2vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: 3Não façais mal à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus.
4Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel.
9Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. 10Todos proclamavam com voz forte: A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.
11Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos, e dos quatro Seres vivos, e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: 12“Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém”. 13E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: “Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?”
14Eu respondi: “Tu é que sabes, meu senhor”.
E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”.
Salmo responsorial (Sl 23)
É assim a geração dos que procuram o Senhor!
Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra,
o mundo inteiro com os seres que o povoam;
porque ele a tornou firme sobre os mares,
e sobre as águas a mantém inabalável.
“Quem subirá até o monte do Senhor,
quem ficará em sua santa habitação?”
“Quem tem mãos puras e inocente o coração,
quem não dirige sua mente para o crime.
Sobre este desce a bênção do Senhor
e a recompensa de seu Deus e Salvador”.
É assim a geração dos que o procuram,
e do Deus de Israel buscam a face.
Leitura da Primeira Carta de São João (1Jo 3,1-3)
Caríssimos: 1Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai.
2Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. 3Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.
Aleluia, aleluia, aleluia! (Mt 11,28)
Vinde a mim, todos vós que estais cansados
e penais a carregar pesado fardo,
e descanso eu vos darei, diz o Senhor.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus (Mt 5,1-12a)
Naquele tempo, 1vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los:
3 “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus!
11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12aAlegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.
Escrito por Pe. Henrique às 13h45
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Estudo bíblico-catequético para Todos os Santos
1. Desde o século IX a Igreja celebra hoje todos os santos canonizados e todos aqueles cujos nomes somente Deus conhece, “de todas as nações, tribos, povos e línguas”.
=> O Prefácio da Missa diz bem o significado desta Solenidade: “Festejamos, hoje, a Cidade do céu, a Jerusalém do alto, nossa mãe, onde nossos irmãos, os santos, vos cercam e cantam eternamente o vosso louvor. Para essa Cidade caminhamos, pressurosos, peregrinando na sombra da fé. Contemplamos, alegres, na vossa luz, tantos membros da Igreja, que nos dais como exemplo e intercessão”.
2. Que é um santo?
=> Diz o Catecismos: “Ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solene que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está em si e sustenta a esperança dos fiéis, propondo-os como modelos e intercessores” (n. 828). "Veneramos a memória dos habitantes do céu não somente a título de exemplo; fazemo-lo ainda mais para corroborar a união de toda a Igreja no Espírito, pelo exercício da caridade fraterna. Pois, assim como a comunhão entre os cristãos da terra nos aproxima de Cristo, da mesma forma o consórcio com os santos nos une a Cristo, do qual como de sua fonte e cabeça, promana toda a graça e a vida do próprio Povo de Deus" (n. 957)
=> Os santos são aqueles discípulos de Cristo que, de tal modo lhe foram fiéis e viveram seu batismo, que já estão no céu, com Cristo, esperando somente a ressurreição dos seus corpos nos final dos tempos. Releia a primeira leitura de hoje: “Uma multidão que ninguém podia contar”!
=> O «santo» é um pecador como nós, que lutou para levar Cristo a sério e, procurando ser fiel à graça de Cristo, viveu o Evangelho. Por isso mesmo é apresentado pela Igreja como exemplo para todos nós. É este o sentido da canonização: a Igreja propõe um filho seu como modelo de vida cristã e de seguimento a Cristo. Se alguém é «santo», é por graça de Deus, que o santificou. O «santo» não é um super-homem que, se santificou com suas forças! Ele recebeu a santidade de Cristo, foi aberto à ação santificante do Espírito do Senhor Jesus. Dizer que alguém é santo significa dizer que foi santificado por Cristo! “Pela graça de Deus sou o que sou: e sua graça a mim dispensada não foi estéril” (1Cor 15,10). Assim sendo, quando a Igreja afirma que alguém está na Glória e o chama «santo» deseja mesmo é mostrar o quanto a graça salvadora de Cristo é eficaz, o quanto a força do Senhor Jesus, nosso único Salvador, é capaz de transformar a nossa miséria humana e nos elevar à santidade. É Cristo que é admirável nos seus santos. O santo é uma obra prima da graça de Deus que opera através de Cristo Jesus! Admirando a obra prima, exaltamos o seu Autor! Como a própria Liturgia da Igreja reza: “Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e sem vosso auxílio ninguém é forte, ninguém é santo...”
3. O Novo Testamento várias vezes refere-se aos Santos, que já estão no céu, com Cristo: Hb 12,23 fala dos mártires e “dos espíritos dos justos que já chegaram à perfeição”; Ap 6,9-10 mostra os mártires, em suas almas, intercedendo pelos cristãos da terra; a primeira leitura mostra a multidão que segue o Cristo, Cordeiro imolado, vestida com a veste da glória.
4. Nós já somos santos (=santificados), pois, pelo Batismo, já somos filhos de Deus em Cristo. Mas esta realidade somente será manifestada totalmente na glória final. Leia a segunda leitura!
5. Modelo e causa de toda santidade é o Cristo. Por isso o Evangelho de hoje é o das bem-aventuranças: aí Jesus está falando dele mesmo: É ele o Bem-aventurado e ser santo é ser como ele, tendo os seus mesmos sentimentos.
=> O culto aos santos é louvor e gratidão a Deus, admirável nos seus santos. Ao venerarmos um nosso irmão que foi santificado por Cristo, estamos reconhecendo a ação de Deus nele e agradecendo a Deus por ter dado a graça àquele nosso irmão para que ele fosse aberto à ação do Espírito Santo. Ao engrandecermos a obra de arte, louvamos e enaltecemos seu Autor! Quando a Igreja venera um seu filho que chegou à santidade, recorda-se sempre da frase de Paulo: “Pela graça de Deus sou o que sou: e sua graça a mim dispensada não foi estéril” (1Cor 15,10).
=> Quando os cristãos exaltam as obras dos santos, não esquecem que eles agiram pela força de Cristo, que foi o Espírito Santo do Senhor ressuscitado quem os inspirou e moveu para o bem, já que “é Deus quem opera em vós o querer e o operar” (Fl 2,13). Cumpre-se, assim, a palavra do Senhor Jesus: “Vós sois a luz do mundo. Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem o Pai que está nos céus” (Mt 5,14-16).
6. A intercessão dos santos em nada prejudica a única mediação de Cristo: eles rezam por nós como nós rezamos uns pelos outros. Isto é possível porque estamos todos em Cristo: somos membros do seu corpo e rezamos impelidos pelo seu Espírito Santo. Leia Rm 8,26-27; 2Cor 1,1; Ef 1,16; 6,19; Fl 1,4; Cl 4,12; 1Ts 1,2; 1Ts 5,25; 1Tm 2,1; Tg 5,16; Ap 6,10.
Todos os santos de Deus, rogai por nós!
Escrito por Pe. Henrique às 13h44
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A quem interessar possa
Neste ano, o Dia de Finados cai num domingo. A Liturgia fica assim:
Sábado todas as missas são da Solenidade de Todos os Santos - mesmo as missas vespertinas... O Ofício Divino será todo de Todos os Santos, com as segundas vésperas inclusive.
No Domingo, as Missas serão todas de Finados e o Ofício Divino será todo do XXXI Domingo Comum.
Sendo assim, é preciso evitar o erro de celebras as missas do sábado à tarde ou à noite com a Liturgia de Finados. O correto é a Liturgia de Todos os Santos.
Escrito por Pe. Henrique às 08h47
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Nós, posteridade de Abraão
Do Tratado Contra as Heresias de Santo Ireneu de Lião (130 - c.208), bispo, teólogo e mártir:
A promessa feita anteriormente por Deus a Abraão manteve-se estável. Deus lhe tinha dito, com efeito: «Ergue os teus olhos e, do lugar em que estás, contempla o norte, o sul, o oriente e o ocidente. Toda a terra que estás a ver, dar-ta-ei, a ti e aos teus descendentes, para sempre» (Gn 13,14-15).
No entanto, Abraão não recebeu herança alguma durante a sua vida terrena, «nem mesmo um palmo de terra»; foi sempre um «estrangeiro e hóspede» de passagem (Act 7,5; Gn 23,4) Portanto, se Deus lhe prometeu a herança da terra, e se não a recebeu durante a sua estadia terrena, terá de recebê-la na posteridade, isto é, com aqueles que temem a Deus e n'Ele crêem, quando da ressurreição dos justos.
Ora a sua posteridade é a Igreja, que, pelo Senhor, recebe a filiação adotiva em relação a Abraão, como diz João Batista: «Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão» (Mt 3,9). Também o apóstolo Paulo diz na sua Epístola aos Gálatas: «E vós, irmãos, à semelhança de Isaac, sois filhos da promessa» (Gl, 4,28). Diz claramente ainda, na mesma epístola, que os que acreditaram em Cristo recebem, de Cristo, a promessa feita a Abraão: «Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não se diz: «e às descendências», como se de muitas se tratasse; trata-se, sim, de uma só: E à tua descendência, que é Cristo» (Gl 3,16). E, para confirmar tudo isto, diz ainda: «Assim foi com Abraão: teve fé em Deus e isso foi-lhe atribuído à conta de justiça. Ficai, por isso, sabendo: os que dependem da fé é que são filhos de Abraão. E como a Escritura previu que é pela fé que Deus justifica os gentios, anunciou previamente como evangelho a Abraão: Serão abençoados em ti todos os povos» (Gl 3,6-8)
Se, portanto, nem Abraão nem a sua descendência, isto é, todos os que são justificados na fé, não recebem agora herança alguma na terra, recebê-la-ão no momento da ressurreição dos justos, porque Deus é verídico e estável em todas as coisas. E é por este motivo que o Senhor dizia «Felizes os mansos, porque possuirão a terra.» (Mt 5,5).

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 11h04
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A graça que liberta
Do Catecismo da Igreja Católica, nn.1730; 1739-1742:
Deus criou o homem racional, conferindo-lhe a dignidade de pessoa dotada de iniciativa e do domínio dos seus próprios atos. «Deus quis "deixar o homem entregue à sua própria decisão" (Eclo 15,14), de tal modo que procure por si mesmo o seu Criador e, aderindo livremente a Ele, chegue à total e beatífica perfeição»: «O homem é racional e, por isso, semelhante a Deus, criado livre e senhor dos seus atos» (Santo Irineu)...
A liberdade do homem é finita e falível. E, de fato, o homem falhou. Livremente, pecou. Rejeitando o projeto divino de amor, enganou-se a si mesmo; tornou-se escravo do pecado. Esta primeira alienação gerou uma multidão de outras. A história da humanidade, desde as suas origens, dá testemunho de desgraças e opressões nascidas do coração do homem, como conseqüência de um mau uso da liberdade... Afastando-se da lei moral, o homem atenta contra a sua própria liberdade, agrilhoa-se a si mesmo, quebra os laços de fraternidade com os seus semelhantes e rebela-se contra a verdade divina.
Pela sua cruz gloriosa, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado, que os retinha numa situação de escravatura. «Foi para a liberdade que Cristo nos libertou» (Gl 5,1). N'Ele, nós comungamos na verdade que nos liberta (Jo 8,32). Foi-nos dado o Espírito Santo e, como ensina o Apóstolo, «onde está o Espírito, aí está a liberdade» (2Cor 3,17). Já desde agora nos gloriamos da «liberdade dos filhos de Deus» (Rm 8,21).
A graça de Cristo não faz concorrência de modo nenhum, à nossa liberdade, quando esta corresponde ao sentido da verdade e do bem que Deus colocou no coração do homem. Pelo contrário, e como o certifica a experiência cristã, sobretudo na oração, quanto mais dóceis formos aos impulsos da graça, tanto mais crescem a nossa liberdade interior e a nossa segurança nas provações, como também perante as pressões e constrangimentos do mundo exterior. Pela ação da graça, o Espírito Santo educa-nos para a liberdade espiritual, para fazer de nós colaboradores livres da sua obra na Igreja e no mundo.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 12h43
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Amor a Deus e ao próximo
Das Cartas de Santo Anselmo de Cantuária (1033-1109), Bispo, monge, doutor da Igreja:
Como reinar nos céus mais não é do que aderir a Deus e a todos os santos, pelo amor, numa única vontade, de tal forma que exercem em conjunto um único e mesmo poder, ama pois a Deus mais do que ti próprio, e verás que começas a ter o que desejas possuir de forma perfeita no céu.
Vive em harmonia com Deus e com os homens – se estes não se separarem de Deus – e começarás a reinar com Deus e com os seus santos. Porque, na justa medida em que agora estiveres de acordo com a vontade de Deus e com a dos homens, Deus e todos os santos estarão de acordo com a tua vontade. Portanto, se queres ser rei nos céus, ama a Deus e aos homens como deves, e merecerás ser o que desejas.
Mas este amor, não poderás possuí-lo na perfeição se não esvaziares o coração de todos os outros amores. Eis por que aqueles que enchem o coração com o amor a Deus e ao próximo têm apenas o querer de Deus, ou o de outro homem, na condição de que este não seja contrário a Deus.
Eis por que são fiéis à oração, e a esta maneira de viver, a lembrarem-se sempre dos céus; porque lhes é agradável desejar a Deus e falar acerca d'Esse que amam, ouvir falar d'Ele e pensar n'Ele. É por isso também que rejubilam com todos os que estão em graça, que choram com os que estão em dificuldades (Rm 12,15), que têm compaixão pelos infelizes e que dão aos pobres, porque amam os outros homens como a si mesmos. Sim, é assim que, de fato, destes dois mandamentos do amor «dependem toda a Lei e os profetas».

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 14h09
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